Carnaval, imagens e poder: o ensaio antecipado da disputa de 2026 no Espírito Santo

Carnaval, imagens e poder: o ensaio antecipado da disputa de 2026 no Espírito Santo

Carnaval, imagens e poder: o ensaio antecipado da disputa de 2026 no Espírito Santo

O DESESPERO SILENCIOSO DO PSB.

O que pode representar a evolução de uma união entre o grupo de Arnaldinho e Pasolini para as eleições de 2026_

O que ecoou pelas cidades capixabas durante o Carnaval de Vitória no sambódromo não foi apenas o som das escolas de samba ou o clima de festa. Ecoou, sobretudo, a imagem — e, na política, imagens raramente são inocentes.

A possível aproximação entre os prefeitos Lorenzo Pazolini e Arnaldinho Borgo rapidamente ganhou densidade no debate estadual porque toca em um ponto sensível: o equilíbrio real de poder no Espírito Santo.

É justamente nesse momento que o cenário político deixa o campo da especulação e entra no terreno concreto das possibilidades.

Em períodos pré-eleitorais, alianças consideradas improváveis podem se transformar, com velocidade surpreendente, em movimentos estratégicos. Basta que o ambiente político amadureça, que as forças eleitorais se reconheçam e que o timing seja respeitado.

O Carnaval mostrou a imagem. E, na política, imagem costuma antecipar movimento.
Nos bastidores, ninguém ignora: o jogo eleitoral de 2026 já começou. E essa aproximação simbólica produz efeitos imediatos. Para o vice-governador Ricardo Ferraço, ela representa gravidade política. Ferraço sempre atuou como eixo de articulação entre prefeituras, governo estadual e setores estratégicos da economia.

Uma aliança que se constrói fora desse eixo — entre duas gestões bem avaliadas, com eleitorados próprios e forte presença urbana — reduz seu papel de mediador central e inaugura um campo autônomo de poder, algo pouco comum no Espírito Santo recente.
Para o PSB, porém, o impacto é ainda mais profundo — e assume contornos de desespero silencioso.

O partido não teme apenas perder uma eleição futura; teme perder o controle daquilo que realmente sustenta o poder: a caneta. O PSB governa por meio da ocupação institucional, da distribuição seletiva de espaços administrativos e da manutenção de uma lógica de isolamento político contra quem não se submete integralmente à chamada “frente ampla”.

É nesse ponto que se desfaz uma narrativa repetida à exaustão: a de que Pazolini não dialoga ou não constrói parcerias. O que existe, na prática, são muros invisíveis erguidos a partir do Palácio Anchieta, sob comando de um núcleo ideológico endurecido, cada vez mais distante do centro político e mais próximo de uma lógica de exclusão típica da extrema esquerda travestida de moderação institucional.

Pazolini foi isolado não por incapacidade de articulação, mas por não aceitar subordinação política. Arnaldinho, por sua vez, acreditou que poderia disputar espaço dentro da frente ampla. Tentou jogar conforme as regras não escritas do sistema, apostando na convivência institucional. O resultado foi previsível: sentiu as garras do PSB, os mesmos vetos silenciosos, as mesmas portas fechadas e os mesmos muros invisíveis que operam longe do debate público, mas determinam quem participa efetivamente do jogo.

O que a festa revelou é simples e, ao mesmo tempo, inquietante para quem governa: quando o sistema se fecha demais, ele empurra para fora lideranças que poderiam estar dentro. E, ao empurrar, acaba produzindo algo ainda mais perigoso para quem controla o poder — a convergência entre os isolados.

Se a imagem do Carnaval foi de união simbólica, os próximos meses dirão se essa harmonia tem fôlego político para atravessar o calendário eleitoral e se transformar em projeto estruturado de poder.

No Espírito Santo, como na avenida, quem acerta o compasso antes normalmente chega mais forte na reta final — especialmente quando consegue combinar gestão bem avaliada, narrativa de renovação e construção de alianças estratégicas.

Por ora, os blocos seguem na rua, a música ainda domina o noticiário e o Carnaval ocupa o imaginário coletivo. Mas, longe dos holofotes, em gabinetes, reuniões reservadas e articulações silenciosas, o ensaio geral da disputa eleitoral de 2026 já está em andamento.

E, como ensina a política capixaba, quem começa a ensaiar antes raramente entra na avenida apenas para assistir ao desfile.