Espírito Santo segue entre os estados mais violentos do país, aponta Atlas da Violência 2026

Espírito Santo segue entre os estados mais violentos do país, aponta Atlas da Violência 2026

O Espírito Santo voltou a figurar entre os estados brasileiros com índices alarmantes de violência letal. Dados do Atlas da Violência 2026, elaborados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), apontam que o estado registrou taxa de 26 homicídios por 100 mil habitantes, acima da média nacional, que ficou em 20,1.

O levantamento utiliza dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, e traz um alerta adicional: além dos homicídios oficialmente registrados, especialistas identificam um crescimento das chamadas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), classificadas como “homicídios ocultos”, o que pode indicar um cenário ainda mais grave do que o oficialmente contabilizado.

Segundo o Atlas da Violência 2026, a metodologia adotada busca maior precisão estatística e padronização das análises populacionais, utilizando estimativas da PNAD Contínua do IBGE para o cálculo das taxas por 100 mil habitantes. O estudo também incorpora modelos de machine learning desenvolvidos por pesquisadores para estimar mortes violentas que podem ter sido subnotificadas ou classificadas de forma inadequada.

Apesar de avanços pontuais observados em anos anteriores, o Espírito Santo permanece em uma posição preocupante no ranking nacional da violência letal. O índice capixaba supera estados como Rio de Janeiro (20,4), Minas Gerais (12,8), São Paulo (6,6) e Santa Catarina (8,1), evidenciando que o enfrentamento à criminalidade ainda representa um dos principais desafios da segurança pública estadual.

Especialistas apontam que os números reforçam a necessidade de fortalecimento das políticas públicas integradas de segurança, inteligência policial, prevenção social da violência e ampliação de investimentos em educação, assistência social e oportunidades para a juventude.

O Atlas da Violência 2026 destaca ainda que a análise das mortes violentas no Brasil precisa considerar não apenas os registros oficiais, mas também os chamados “homicídios ocultos”, uma vez que o aumento das classificações por causa indeterminada compromete a transparência e a compreensão real da violência no país.