Violência psicológica contra mulheres cresce e preocupa autoridades

Casos de abuso emocional e manipulação aumentam, levando mais vítimas a denunciarem
A violência contra a mulher vai muito além das agressões físicas. A violência psicológica, muitas vezes invisível, é um problema grave e crescente. Em 2023, o número de queixas desse tipo foi o que mais aumentou, refletindo um maior reconhecimento desse tipo de abuso e a busca por justiça.
Adriana sabe bem o que é isso. Durante 20 anos, viveu um relacionamento abusivo sem perceber.
“Como se eu tivesse dormido com o inimigo”, desabafa. Ela se dedicou à família, mas enfrentou infidelidade, humilhação e manipulação. Além da violência psicológica, também sofreu violência financeira, ficando vulnerável até mesmo após o fim do relacionamento.

“Ele me fez sentir culpada pelo que ele mesmo fez”, relata Adriana, que conseguiu romper esse ciclo há pouco mais de um ano.
História semelhante viveu Inara, que passou três anos e meio em um casamento marcado pelo ciúmes doentio e agressões verbais. “Aquilo não era amor, era abuso”, diz ela. Hoje, superou o trauma e busca inspirar outras mulheres:
“Se você vive esse problema, tenha certeza que um dia também vai se libertar”.
As duas encontraram acolhimento no Centro Margaridas, em São Mateus, que oferece apoio a vítimas de violência. “Esses espaços trazem humanidade e acolhimento para mulheres que entendem a dor umas das outras”, afirma Tati, coordenadora do centro.
O crescimento dos registros de violência psicológica reflete uma mudança importante: mais mulheres estão reconhecendo esse tipo de abuso e denunciando. Segundo Jace Narcisa, delegada da Mulher em São Mateus, “a partir do momento em que se compreende que isso é violência, as mulheres passam a procurar mais as delegacias”.
Em 2023, foram registrados 38.507 casos, um aumento de 33,8%. O crime de stalking também subiu 34,5%.
Os dados são alarmantes, mas também indicam avanço na luta contra a violência de gênero. Mais mulheres estão rompendo o silêncio e buscando uma nova vida. “Não é fácil, mas é possível e necessário”, conclui Tati.
Se você está vivendo um relacionamento abusivo, procure ajuda. Centros de acolhimento e delegacias da mulher estão prontos para oferecer suporte. A felicidade e a liberdade são direitos de todas.
O Atendimento no Centro Margarida acontece de Segunda a Sexta-Feira das 07h âs 17h, com plantões por telefone aos sábados das 8h às 18hs
Telefones para contato 3600-1898 – 99262-2452
Editor-chefe, publicitário, jornalista e especialista em marketing político, com vasta experiência em gestão editorial, desenvolvimento de estratégias de comunicação e campanhas políticas de alto impacto.