Espírito Santo é o 5º estado mais violento do Brasil, aponta levantamento nacional
O Estado está presente mesmo? Essa é a pergunta que ecoa nas ruas, nos ônibus, nas praças e nas conversas cotidianas de quem vive no Espírito Santo — um estado que, apesar dos discursos oficiais, figura entre os cinco mais inseguros e violentos do país, segundo a Folha de São Paulo.
O capixaba comum sente na pele a ausência do Estado: o medo de sair de casa à noite, o receio de parar no semáforo, o barulho distante de tiros nas periferias, os furtos em plena luz do dia e o aumento assombroso de desaparecidos — rostos que somem do convívio social sem deixar rastro e sem resposta. A insegurança deixou de ser uma pauta estatística para se tornar uma experiência cotidiana.
E diante desse cenário, o governo apresenta uma suposta solução tecnológica: os totens de segurança. Espalhados em pontos estratégicos, prometem vigiar, registrar e garantir uma sensação de proteção. Mas será que garantem mesmo?
As câmeras instaladas nesses totens estão, de fato, interligadas a um sistema integrado de monitoramento em tempo real? Há equipes da Polícia Militar, da Guarda Municipal ou do SESP acompanhando as imagens, agindo de forma imediata quando algo acontece? Ou estamos diante de mais uma vitrine digital — equipamentos que registram o crime, mas não o impedem?
A propaganda oficial vende modernidade e vigilância inteligente.
Mas na prática, a população não sabe se essas câmeras têm conexão direta com os centros de comando ou se servem apenas para armazenar imagens que raramente resultam em prisões. Se o sistema não reage em tempo real, o totem se transforma em um símbolo da ausência disfarçada de presença — uma estátua eletrônica que observa, mas não protege.

Enquanto o Estado investe em estética tecnológica, a criminalidade adapta-se com inteligência prática. O tráfico continua ativo, os furtos se multiplicam, o medo cresce. E o cidadão comum continua perguntando: onde estão as patrulhas, o policiamento de proximidade, o Estado que age antes do crime e não apenas depois?
A sensação de segurança não se constrói com câmeras, mas com confiança. Nenhum equipamento substitui a presença humana, o olhar atento do policial, a resposta rápida à denúncia, a rede social que funcione de verdade. Segurança pública não é decoração urbana nem peça de marketing — é ação coordenada, preventiva e constante.
O Espírito Santo precisa responder à pergunta que abre este texto — e que já deveria estar respondida nas ruas, não nas propagandas:
O Estado está presente mesmo? Porque, se as câmeras só assistem, mas não agem, então o crime continua rindo do outro lado da lente.
Fonte: FOLHA DE SÃO PAULO

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