Guerra no Oriente Médio pode pesar no bolso do capixaba

Guerra no Oriente Médio pode pesar no bolso do capixaba

A escalada do conflito envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã já começa a produzir reflexos no mercado internacional — e o Brasil não está fora desse cenário. Especialistas alertam que a alta do petróleo pode pressionar combustíveis, fretes e, em cadeia, o preço de alimentos e outros produtos essenciais.

No Espírito Santo, os efeitos podem aparecer principalmente no diesel e nos custos logísticos. O aumento no transporte rodoviário tende a impactar diretamente itens que dependem de deslocamento intenso, como alimentos, materiais de construção e insumos industriais.

O professor Bruno Macial, doutor em Relações Internacionais, avalia que o Brasil, como grande importador de fertilizantes, pode sentir impactos adicionais. O encarecimento da energia influencia o custo de fertilizantes nitrogenados, além de elevar despesas com frete e seguro marítimo — fatores que acabam sendo repassados ao consumidor final.

O Sindiex (Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Espírito Santo) informou que acompanha o cenário com cautela. Até o momento, considera prematuro estimar impactos concretos sobre exportações e importações capixabas, mas reconhece que a oscilação no preço internacional do petróleo já é um fator de alerta.

Caso o conflito se prolongue, a entidade aponta possível pressão sobre fretes internacionais, seguros marítimos e fornecimento de produtos ligados à região afetada, como petroquímicos, fertilizantes e derivados de petróleo.

No comércio local, a preocupação também existe. O vice-presidente da Fecomércio-ES, José Carlos Bergamin, destaca que cadeias que dependem de transporte aéreo ou rotas específicas podem sofrer interrupções ou encarecimentos, afetando diretamente a atividade econômica.

A Petrobras afirmou que possui rotas alternativas às áreas de conflito e que a maior parte das importações ocorre fora da região de risco. Segundo a companhia, não há previsão de interrupção nas operações neste momento.

Já o Sindipostos-ES pondera que o impacto no mercado de combustíveis dependerá da duração do conflito. Como último elo da cadeia, os revendedores aguardam os desdobramentos, já que qualquer alta na extração, importação ou produção acaba refletindo nas bombas.

O governador Renato Casagrande também demonstrou preocupação, lembrando que o Espírito Santo é produtor de petróleo e mantém forte integração com o comércio exterior. Segundo ele, conflitos internacionais tendem a gerar pressão sobre taxas e indicadores econômicos.

Em um mundo interligado, tensões geopolíticas não ficam restritas ao mapa. Elas chegam ao bolso.