Mais da metade das mulheres na pós-menopausa sofre com distúrbios do sono, alerta estudo
Passar horas tentando dormir, acordar diversas vezes durante a madrugada ou levantar da cama já cansada costuma ser tratado como uma consequência inevitável da menopausa.
Mas especialistas fazem um alerta: embora os problemas de sono sejam comuns nessa fase da vida, eles não devem ser considerados “normais” nem ignorados.
Uma meta-análise publicada na revista científica Sleep and Breathing revelou que 51,6% das mulheres na pós-menopausa apresentam algum distúrbio do sono, tornando essa uma das queixas mais frequentes após o fim do período reprodutivo.
O levantamento reuniu dados de 41 estudos realizados em diferentes países e reforça que o problema é um desafio de saúde pública.
Para a pneumologista e especialista em Medicina do Sono, Jéssica Polese, a principal dificuldade é fazer com que as mulheres entendam que noites mal dormidas merecem investigação.
“Existe uma falsa ideia de que dormir mal faz parte da menopausa e que a mulher simplesmente precisa aprender a conviver com isso. As alterações hormonais realmente favorecem a insônia, mas isso não significa que o problema deva ser aceito sem tratamento”, esclarece.
Segundo a médica, a redução dos níveis de estrogênio e progesterona interfere diretamente na qualidade do sono. Além disso, sintomas característicos da menopausa, como fogachos e suores noturnos, provocam despertares frequentes e impedem que o organismo complete adequadamente os ciclos do sono.
“Muitas pacientes conseguem até adormecer, mas acordam diversas vezes durante a noite por causa das ondas de calor. No dia seguinte, a sensação é de que não descansaram, mesmo tendo passado várias horas na cama”, explica.
Os impactos vão muito além do cansaço. Dormir mal aumenta a irritabilidade, prejudica a memória, reduz a capacidade de concentração, compromete o desempenho no trabalho e afeta a saúde mental. Estudos também mostram que a privação crônica de sono está associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, obesidade e diabetes.
Outro aspecto que ainda é pouco conhecido é que a menopausa também aumenta o risco de apneia obstrutiva do sono. Com a queda dos hormônios femininos, a proteção natural das vias aéreas diminui, favorecendo o aparecimento da doença.
“Quando a mulher passa a roncar, acorda com sensação de sufocamento ou apresenta sonolência excessiva durante o dia, é importante investigar a possibilidade de apneia. Muitas vezes, a paciente acredita que tem apenas insônia, quando existe outro distúrbio do sono acontecendo ao mesmo tempo”, destaca.
Jéssica explica que o tratamento depende da causa do problema e nem sempre envolve medicamentos para dormir. Mudanças no estilo de vida, controle dos sintomas da menopausa, terapia cognitivo-comportamental para insônia e, em alguns casos, terapia hormonal fazem parte das alternativas disponíveis.
“O sono é um dos pilares da saúde. A mulher não precisa aceitar viver cansada porque entrou na menopausa. Quanto mais cedo ela procura ajuda, maiores são as chances de recuperar a qualidade do sono e, consequentemente, da própria qualidade de vida”, finaliza.
Cinco sinais de que a insônia na menopausa precisa de avaliação médica
A menopausa pode trazer mudanças no padrão do sono, mas alguns sinais indicam que o problema merece investigação especializada. Segundo a especialista Jéssica Polese, é importante procurar ajuda quando:
– A dificuldade para dormir persiste por mais de três meses;
– A mulher acorda cansada, mesmo após passar horas na cama;
– Há sonolência excessiva durante o dia;
– Surgem roncos intensos ou pausas na respiração durante o sono;
– A falta de sono começa a comprometer o trabalho, a memória, o humor ou as relações pessoais.

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